segunda-feira, 23 de maio de 2011

Monólogo - Homenagem ao rio Tietê




de Carvalho de Azevedo – Osasco, SP

O que ouves
E interpretas como acalento
Nada mais é que meu lamento

Insensíveis poluíram-me a nascente
Relegaram-me ao apodrecimento
Quando priorizaram o desmatamento

Alteraram meu curso natural
Represaram-me sem nenhum acanhamento
Em nome do progresso, mas da vida em detrimento

E agora quando quase nada mais me resta
Quando irreversível é meu assoreamento
É difícil, mas não impossível o meu reaparecimento

Basta que seus semelhantes
Não me tinjam com seus excrementos
Basta que apenas mudem seus procedimentos

Quero correr livre e puro como nasci
Levando água para o mais distante povoamento
Com fartura de peixes e vida em todo momento

Quero de novo saciar a sede do ribeirinho sedento
Quero de novo abrigar a piracema, festejar o nascimento
Comemorar a vida sem nenhum impedimento.

Quero desaguar lá longe
Caudaloso, majestoso, orgulhoso, ressuscitado.



Parabéns !! Linda poesia !

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